quinta-feira, 9 de setembro de 2010

AS LENDAS DE TERESINA EM VERSOS

A LENDA DA NUM-SE-PODE

nas noites de Teresina
muita coisa pode se encontrar
Cabeça-de-cuia, Mulher-de-branco,
até alma querendo fumar
tô falando de Num-se-pode
que veio para nos desafiar.

amigo, nao se assute
com o que acabei de dizer
faz parte do nosso folclore
isso voce precisa saber
se nunca ouviu falar
agora vou descrever.

Num-se-pode é uma moça
que gosta muito de fumar
à noite sai pelas ruas
um cigarro a procurar
sem cerimonia ela pede
a quem encontrar.

quem com ela se deparam
admira logo a sua altura
por mais alto que seja
nao chega à sua contura
e fica se perguntando
de onde surgiu a criatura.

Num-se-pode carrega no rosto
as marcas da solidao
tem enormes olheiras
o que causa má impressão
quem a vê sente dó
da sua peregrinação.

a roupa que ela veste
é de um branco amarelado
os cabelos em desalinhos
nunca foram penteados
a moça só se preocupa
com os cigarros arranjados.

ela desperta em todos
grande curiosidade
mas se alguém lhe faz um gesto
oferecendo amizade
mais ela se afasta
despertando piedade.

à moça só interessa
um cigarro arrumar
nao aceita nem o fosforo
se insistirem em lhe dar
prefere acender no poste
dali saindo pra fumar.

aqueles que a chamam
querendo o cigarro acender
a partir daquele instannte
irao se surpreender
porque ela se estica tanto
que dá medo de se ver.

logo em seguida sai
dando gargalhada
pelas ruas ela some
desaparecendo do nada
é aí que constatam
que é uma alma penada.

Num-se-pode nao surgiu
da noite para o dia
faz parte da cidade
desde o início da boemia
lá pelos trinta
ela já existia.

no começo era apenas
uma linda assombração
que ao ganhar um cigarro
acendia em lampião
eles iluminavam as ruas
do nosso belo chão.

outrora quando surgiu
a lenda da Num-se-pode
a iluminação nao era
feita atraves de postes
usava-se lamp~ião
do sul até o norte.

Num-se-pode pode ser
o retrato da boemia
dos homens que insistem
em abandonar a família
e na noite cair
no desfrute e na orgia.

esses homens vao encontrar
nesse vulto a consciencia
o que Num-se-pode retrata
É a falta de paciência
com quem de si esqueceu
se entregando à demência.

Se acaso você encontrar
pelas ruas de Teresina
Em altas horas da noite
essa interessante menina
nao morra de medo
nem culpe a sua sina.

ao amigo vou alertar
que ninguém lhe acode
quando vir um vulto
nao pense que é um bode
abra os ouvido e escute:
Num-se-pode, Num-se-pode!

Obs.: A expressao popular "Num-se-pode" retrata a oralidade do povo nordestino e quer dizer não se pode.

A LENDA DA PORCA DO DENTE DE OURO

outrora surgiu
em nossa capital
uma lenda assombrosa
fruto do grande mal
uma filha desrespeitosa
é protagonista da tal.

conta a lenda que uma moça
por ser muito namoradeira
vivia brigando com a mae
a sua fiel conselheira
atacando a pobrezinha
e lhe dizendo só asneira.

porém a moça nao sabia
o que lhe reservava o destino
namorava quem encontrava
sendo homem ou menino
nao importava a hora
se era noite ou sol a pino.

quanto mais o tempo passava
a mãe rezava e nao dava jeito
a garota deslumbrada
beijava qualquer sujeito
se entregando de corpo e alma
pela vida sem respeito.

aconteceu que um dia
já cansada de aconselhar
a mãe resolveu
uma pposição tomar:
"essa menina não namora
nem com grande marajá".

chamou a moça na sala
que nao quis dar atençao
aos clamores da mae
jogando-a no chao
no rosto dando uma mordida
ferindo o seu coração.

a mae no chao rolou
gritando apavorada:
"Filha ingrata, nao mereces
que eu te ofereça nada
nem amor, nem carinho
por isso serás castigada.

de hoje em diante
namorado nao arranjará
ficando louca e demente
no quarto vais se trancar
de lá só saindo à noite
para os homens assombrar.

com uma porca pelada
tu vais parecer
com um dente fora da boca
para o povo mordes
deste castigo só te livra
quando o sol aparecer.

na noite escura da cidade
o grande dente vai brilhar
para que todos corram de ti
e namorado nao arranjar
ficando pra sempre no castigo
pra tua mae respeitar".

assim segue a lenda
da Porca-do-dente-ouro
que corre de boca em boca
como um grande agouro
pras moças desrespeitosas
que tratam a mae com estouro.

à meia-noite se transforma
numa porca muito feia
sai pela cidade correndo
à procura de um pé-de-meia
que lhe dê arrego
Prendendo-a numa teia.

a porca velha tem
além do dente de ouro
tetas arrastando no chao
é só bico e couro
a liçao da sua história
tornou-se um grande tesouro

à todos pede socorro
e urra como animal
se quaixa da sorte
e pode fazer o mal
àqueles que se aproximam
desavisados da tal.

essa história aconnteceu
pras bandas do Mafrense
bairro bonito e agradavel
morada de boa gente
me contaram e eu guarde
no funda da minha mente.

Teresina é uma cidade
de muita mulher bonita
com pureza de criança
que ainda usa laço de fita
nao merecendo a lenda
da namoradeira maldita.

moça, seja educada
a sua mae trate bem
não fique de namorico
e de eterno vai-e-vem
com homem nao ande
pois este nao lhe convem.

o melhor que voce faz
é aos estudos dar valor
pra que sua vida nao seja
um eterno clamor
e sua mae nao lhe rogue
a praga que a outra ganhou.

palavra de mae é sagrada
e devemos dar atençao
nao desacreditando nunca
no poder da oração
que é ela que nos livra
das garras do cao.

dizendo isso eu toquei
em um ponto importante
só pra dizer a voces
que Deus é o horizonte
que a todos direciona
elevando até ao Monte.

ao sair por aí
livre-se dos agouros
benza-se tres vezes
salve o seu coro
dos dentes afiados
da Porca-do-dente-de-ouro.

A LENDA DE TÁ NA BOCA, MORA? ( expressao usada nos anos 70 pelos rippes e que quer dizer "tá conquistado, entendeu".

Pelas bandas da Piçarra (bairro de Teresina)
surgiu uma estória
de um homem que se escondia
isso foi outrora
a quem passa ele dizia
"tá na boca, mora?"

as moças que insistiam
em casa tarde chegar
preocupando aos seus pais
quando iam namorar
voltavam pra casa correndo
pro vagabundo nao encontrar.

a aparência do homem
era o que mais impressionva
tinha os cabelos longos
e estes nao penteava
as unhas muito grandes
a roupa mal cheirava.

maltrapilho pela noite
dava medo de ver
quem o avistava de longe
corria para se esconder
com medo do ataque
do assombroso malfazer.

um dia aconnteceu
o que o povo já esperava
uma moça da Piçarra
que em seu pai nao acreditava
tarde da noite chegou
pois do tal homem duvidava.

voltando pra casa só
já depois da meia noite
encontrou o monstro ali
e começou o açoite
o homem batia na moça
que arriscava a sorte.

deste dia em diante
nenhuma moça quis sair
da sua casa pra namorar
sem ter hora pra vir
pois o homem batia
isso eu posso garantir.

essa historia que aconnteceu
serve atá hoje de lição
para os mais afoitos
nestas bandas do sertao
nordestino e crente
como deve ser o cristao.

muita gente nao acredita
e sai noite afora
duvida até de Deus
dizendo: "foi outrora"
mas os castigos existem
pra isso nao tem hora.

ao sair por aí
nas noites de Teresina
Benza-se tres vezes
afaste a má sina
de encontrar 'Tá na boca"
por aí em qualquer esquina.

esse homem é mal-feitor
nao perdoa as namoradeiras
ataca também os homens
que falem muitas asneiras
que faças mal às moças
ataca de qualquer maneira.

morei algum tempo
na querida Piçarra
morada alegre e boa
de gente de garra
'Tá na boca' já existia
e ninguém duvidava.

a muitos assombrava
rondando por ali
ficou até famoso
em todo Piaui
mas afirmo pra voces
que nunca o vi.

'Tá na boca, mora'
mora na mente alheia
benzam-se quando sair
pra nao ver a cara feia
e acaso nao ficar preso
na sua malcheirosa teia.

aqui me despeço
pois já vou embora
muito já falei
ta na minha hora
diga-me se gostou
de 'Tá na boca, mora'.

marina campelo no orkut. deixe-me seu comentario. eles me fortalecerao. obrigada.

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